Semana passada voltei a fotografar para o “Quem

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Semana passada voltei a fotografar para o “Quem dorme na rua passa o dia de pijama”, depois de um pouco mais de 6 meses sem ir pras ruas com esse propósito.

Comecei a mapear alguns pontos perto de onde eu moro, pretendo conhecer esses moradores de bairros menores. E para a minha surpresa encontrei uma moradora a poucos quarteirões da minha casa.

Me aproximo após notar que ela está disposta a conversar comigo. Logo em seguida me apresento e ela faz o mesmo.

-Lucia, disse em voz baixa.

Já estávamos conversando e Lucia se sentiu a vontade para falar um pouco sobre sua vida.

Aos 41 anos diz ser moradora de rua por opção. Conta que num certo dia arrumou o que podia levar e saiu sem rumo.

Por morar muitos anos no mesmo bairro, localizado no extremo leste da capital, Lucia cumprimentava diversas pessoas que passam por nós, o que fica claro que ela é tratada de forma inclusiva dentro do convívio social entre os moradores do bairro.

Conversamos sobre bastante coisa, expliquei a ela sobre o projeto e Lucia aceitou de primeira fazer umas fotos enquanto me contava mais sobre si.

Falou sobre o acidente que sofreu já há algum tempo, onde fraturou algumas partes do corpo. Uma delas foi o joelho direito, onde agora possui alguns pinos. Ao falar sobre o assunto de forma descontraída Lucia relata os choques que leva por ficar em frente a portões de aço.

Seu companheiro Gileno chega logo em seguida, nos cumprimenta e se senta ao lado de Lucia. Não demorou muito tempo pra que ele também aceitasse fazer parte dos cliques.

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Empolgada com as fotos, Lucia me  pede um retrato com seu amigo Marcelo.

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Alegria

Resolvi escrever o ultimo post do ano e quero dedica-lo a uma pessoa que conheci em uma de minhas caminhadas durante esses meses. Nesse dia resolvi andar pelo centro, com o intuito de conhecer novos moradores e rever alguns deles que eu já conhecia e sabia onde encontra-los.

Penso milhares de vezes antes de abordar um morador, caminho andando para eles esperando alguma reação, um olhar, um resmungo, um sorriso ou qualquer atitude que permita que eu me aproxime. E foi assim que aconteceu, ele me viu, mas passei direto, voltando logo em seguida. Esse é o Alegria, foi assim que ele se identificou quando perguntei o seu nome. Muito simpático, diferente e com um chapéu feito da palha do coco, ele estava preparando sua refeição, um peixe que tinha ganhado. Ele me mostrou como fazia para cozinhá-lo, embebendo uma faca em uma latinha com álcool e depois encostando o isqueiro na faca e levando ela perto da lata de novo para incendiá-la. Alegria é capoeirista e fez uma demonstração das tantas artes que conhece. Conversou comigo sobre religião, sobre o significado do meu nome e sobre artesanato. Enquanto isso rolava uma briga entre moradores ali perto, o que me deixou meio receoso, confesso, mas a tranquilidade e a serenidade do Alegria me deixou relaxado. O que mais me impressionou em toda aquela vivência desse dia foi quando ele me mostrou duas câmeras fotográficas antigas, que ele tinha, e de todo o bom coração me pediu para escolher uma. Eu peguei uma todo sem jeito, mas com a maior felicidade, afinal é a primeira câmera que eu ganhei na vida. Deixar para falar sobre o Alegria neste último dia de 2012 e depois das exposições terem acontecido e todas com recepções muito positivas é para sobretudo agradecer a essas pessoas, ainda que elas não possam ter acesso as minhas palavras, pois aprendi e cresci muito com todo esse projeto, aprendi melhor o significado das palavras GENEROSIDADE e RESPEITO e venho desejar que não só o ano que está por vir, mas a todos os demais anos que não só a mim mas a todos, possam querer a respeitar, ainda que seja o mínimo essas pessoas. Eu acho que isso já é um grande passo na mudança de nossa sociedade, na sua evolução como seres humanos.

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Esse é o Alexa…

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Esse é o Alexandre, amigo de um dos colaboradores do projeto “Paulo”, ele vive no centro de São Paulo, e apesar de ter gostado da ideia de ser retratado, ele não se sentiu a vontade em dizer sobre si mesmo.

 

 Após andar p…

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Após andar por toda Avenida Paulista em ambas as calçadas, de ponta a ponta a procura de mais um dia de novas histórias e novos retratos me deparei com José Aparecido, quando já estava desesperançoso e desanimado. Ele se encontrava sentado à sombra, perto do Parque do Trianon. Muito acolhedor, dos olhos pequenos e simpáticos, logo topou a ideia de ser fotografado e me revelou a curiosa história de que um fotógrafo norueguês já havia lhe retratado em meados de 1994 e exposto na Noruega “Eu tirei uma sozinho e outra com dois moradores!” conta, orgulhoso. Muito conhecedor das palavras de Deus, comentou que meu nome é bíblico, um dos apóstolos do senhor.

Com seus 67 anos de idade, explicou que morava em uma favela no período em que Jânio Quadros era prefeito, mas que ele, bem como muitos moradores tiveram que se retirar. Ele explicou que Jânio prometeu um lar novo para todos eles e cumpriu, boa parte. Mas que quando chegou justamente na sua vez, a grana “acabou”. Sem ter para onde ir, foi viver nas ruas.

“Seu” José ganhou um marmitex da lanchonete perto dali. “Alguém pagou e mandou me trazer”, disse, tímido. Conversou comigo ainda sobre galerias de arte da Itália, sobre Nero, o imperador romano que apesar de sua má fama, segundo ele, fez grandes feitos. Ainda me orientou de como abordar os moradores e sugeriu também que eu vá fotografar a região da Cracolândia ” Mas toma cuidado, já não chega com a câmera na mão nem nada. Lá tem que ter uma abordagem diferente.”

Fiquei surpreso com a educação, a religiosidade e o conhecimento dele. Preferi ouvir todas as belas palavras sobre o que ele gostava de dizer, empolgado e com brilho nos olhos, notei que ele não se sentia a vontade de falar sobre si mesmo. Quando questionado sobre a aliança sem seu dedo ele desconversou “Sou noivo das palavras de Cristo.”

Percebi que poderia ficar por horas ouvindo suas histórias, que ele talvez há muito tempo não tenha tido oportunidade de compartilhar. Notei quando estava de partida que sua água estava no fim e neste calor, repus novamente. Ele agradeceu e sem jeito, procurou algo para me oferecer. Fiquei de voltar, para conversarmos mais, saí de lá muito sensibilizado e feliz, e mais uma vez comovido, com uma realidade tão próxima a mim.

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Foto tirada em baixo do viaduto próximo ao mercado da Lapa Zona Oeste de São Paulo.

Graffiti por Plano B.

Morador da Lapa…

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Morador da Lapa, Zona Oeste de São Paulo.

No fim de seman…

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No fim de semana anterior eu eu meu amigo Paulo, colaborador deste projeto, caminhamos pelos arredores do Vale do Anhangabaú, centro de SP. Depois de muito caminhar, chegamos ao Viaduto do Chá e debaixo dele, encontramos o simpático Sr José. Ele construiu o seu lar nestes caixotes e seus companheiros são alguns gatos que ele alimenta todos os dias. Infelizmente não pude extrair muito sobre ele durante o nosso encontro, pois ele tem problemas com a sua audição. 

Em uma dessas m…

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Em uma dessas manhãs andando por SP, a procura de novos retratos e novas histórias me encontrei na Pça da Sé, muito próximo a entrada do metrô. Conheci então a bonita e tocante história de Célia, moradora de rua há apenas três meses. Muito carinhosa e sempre muito disposta a conversar comigo, me deu seu relato emocionante sobre a sua vida.

Ela tem uma casa, na qual existem seus pertences: “Eu tenho televisão, ventilador, tenho fogão, tenho bujão, tenho tudo lá em casa”. Ela também tem um filho, o Fernando, que mora no Rio de Janeiro, cujo já lhe deu três netos. Mas, o que lhe levou a ir para a rua, foi o desgosto. Seu marido morreu, dentro de casa e para ela, não faz mais o maior sentido estar lá sem seu companheiro, ainda que na rua haja suas dificuldades. “A maior dificuldade é não ter para onde ir quando chove”, diz descontente. Ela ainda me explicou que alguns comerciantes não deixam que ela se proteja, nas partes cobertas de seus estabelecimentos.

Embora todas as circunstâncias, ela disse que conta com muito apoio, sobretudo de um moço, que ela considera seu pai e da esposa dele. “A esposa dele me adora. Eu tenho muitos amigos que me ajudam: com comida, roupa”.

Percebi seus olhos lacrimejarem ao falar de seu marido e de seu filho. Geralmente, em dias de chuva, ela consegue se abrigar em uma igreja.

E a miséria continua enlouquecendo SP

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Em uma de minha…

Em uma de minhas andanças a procura de moradores da cidade de São Paulo acabei por encontrar Maicon, um morador de rua que convive com seu grupo próximo ao viaduto do Chá, perto do metrô Anhangabaú.
Muito simpático, ele foi muito receptivo quando lhe contei sobre o projeto e me apresentou seus amigos, que me pareceram muito unidos.Maicon não me contou muito sobre si pois me pareceu muito empolgado com os retratos. Na verdade, pude perceber também que ele era um pouco tímido e não gostava de conversar sobre si mesmo.

ImageEsse é o Maicon, sorridente e bem humorado.

Consegui desenvolver um diálogo mais profundo com Edna, a única mulher do grupo, que me contou um pouco de sua história.Edna é de Minas Gerais(Araxá) mas se criou na Bahia, veio para São Paulo na década de oitenta quando tinha 19 anos, hoje está com 50 anos.Edna se emocionou muito em falar de seus três filhos,um deles vivendo em um abrigo, nos quais não vê há muitos anos, e também demonstrou muita tristeza e desespero, apesar do seu jeito alegre, em falar do sonho de voltar para a cidade de onde veio.Embora tenhamos conversado, em comum a muitos
moradores na qual venho dialogado, extrair os motivos pelos quais eles moram na rua por vezes não é muito simples.

ImageEsse foi o local que conversei a sós com Edna, perto de onde vive com o grupo.

Enquanto bebiam cachaça e me deram muita abertura para fotografá-los,pude conversar com Gilmar , que tem 45 anos e mora na rua há 20 anos.Ele possui um ferimento no olho, me contou que tinha um ferro velho em Poá, mas ele foi roubado.

ImageMesmo que deitado e um pouco cansado, Gilmar foi muito atencioso.

Ainda tive o prazer de conhecer Rubens de 57 anos, sambista do Rio de janeiro e muito bem humorado.

ImageRubens ao falar sobre a sua maior paixão, o samba, foi muito elogiado por seus amigos.

Posso dizer, que mesmo não conseguindo adquirir muitas informações sobre todos eles, tive uma das experiências mais bacanas, digo na vida.Esse tipo de relação que tenho conseguido estabelecer, e de me aproximar mesmo que vagamente de todas essas histórias me fazem encarar muitas coisas com uma nova postura.
Para finalizar ainda, muito carinhosa,Edna me deu um beijo no pescoço , e o grupo me deu muita abertura para voltar novamente, quando eu desejar.