Passageiro residente.

por Thiago Lima

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Algumas vezes passando pelo terminal rodoviário da Barra Funda, via um morador que sempre estava sentado em um banco, com uma manta sobre a cabeça e uma sacola ao lado.

Cheguei a fotografá-lo no ano passado com um celular, mas não me aproximei com receio de incomodá-lo.

Até que novamente passando por lá o encontro sentado e só. Aproximei-me e sentei em um banco um pouco distante. Fiquei alguns minutos observando seu comportamento e finalmente decidi abordá-lo.

No início se apresentou apenas como Pereira, mas só depois de alguns minutos descubro seu primeiro nome, José.

Tinha apenas sete anos quando sua mãe morreu, e logo após a sua morte veio de Jaú, município localizado na região central do estado, morar em abrigos na capital paulista.

Depois de adulto morou no bairro da Penha, Mooca e Brás. E há aproximadamente três anos mora nas ruas, atualmente no terminal rodoviário Barra Funda.

Sobre como veio parar em um dos terminais mais movimentados da cidade, disse ter sido abandonado por sua esposa, filho e sogra.

Zé Pereira é eletricista aposentado, e durante a conversa diz não pedir nada pra ninguém.

-Se eu quiser tomar um café agora, não tenho um tostão no bolso.

-Não vou tomar café.

Enquanto conversávamos, não demorou muito para que ele expressasse sua opinião sobre a politica do nosso país.

-O governo está encarando uma politica nojenta no Brasil, na época de Getúlio Vargas era melhor.

Falamos um pouco sobre as recentes manifestações ocorridas no nosso país, onde ele diz ser contra o ato.

E antes de terminarmos a conversa, ele me mostrou algumas fotos 3×4 que tirou recentemente para documento de identidade.

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