Mês: julho, 2013

Passageiro residente.

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Algumas vezes passando pelo terminal rodoviário da Barra Funda, via um morador que sempre estava sentado em um banco, com uma manta sobre a cabeça e uma sacola ao lado.

Cheguei a fotografá-lo no ano passado com um celular, mas não me aproximei com receio de incomodá-lo.

Até que novamente passando por lá o encontro sentado e só. Aproximei-me e sentei em um banco um pouco distante. Fiquei alguns minutos observando seu comportamento e finalmente decidi abordá-lo.

No início se apresentou apenas como Pereira, mas só depois de alguns minutos descubro seu primeiro nome, José.

Tinha apenas sete anos quando sua mãe morreu, e logo após a sua morte veio de Jaú, município localizado na região central do estado, morar em abrigos na capital paulista.

Depois de adulto morou no bairro da Penha, Mooca e Brás. E há aproximadamente três anos mora nas ruas, atualmente no terminal rodoviário Barra Funda.

Sobre como veio parar em um dos terminais mais movimentados da cidade, disse ter sido abandonado por sua esposa, filho e sogra.

Zé Pereira é eletricista aposentado, e durante a conversa diz não pedir nada pra ninguém.

-Se eu quiser tomar um café agora, não tenho um tostão no bolso.

-Não vou tomar café.

Enquanto conversávamos, não demorou muito para que ele expressasse sua opinião sobre a politica do nosso país.

-O governo está encarando uma politica nojenta no Brasil, na época de Getúlio Vargas era melhor.

Falamos um pouco sobre as recentes manifestações ocorridas no nosso país, onde ele diz ser contra o ato.

E antes de terminarmos a conversa, ele me mostrou algumas fotos 3×4 que tirou recentemente para documento de identidade.

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Num dos dias que sai para fotografar durante

Num dos dias que sai para fotografar durante essa semana, encontrei um morador que eu já havia visto algumas vezes, mas não tinha feito nenhum tipo de abordagem. Desta vez quase deixei passar, mas tomei coragem e me apresentei.

Marciano é o seu nome, e disse que foi escolhido por uma tia.

Nascido no Paraná (PR), diz ser descendente de alemão com africano. Marciano tem os olhos claros e a barba loira.

Veio para São Paulo ainda com poucos anos, diz ter decidido ir pras ruas e desde então vive em alguns pontos da cidade.

Marciano caminha devagar. Ele disse que sofreu acidente recentemente. No rosto ainda está com um machucado grande em recuperação.

Quando me identifico como estudante de fotografia, pergunto se lhe interessa ver meu trabalho através de umas fotos que eu carregava na mochila. Ele disse que preferia não ver, que lhe faria lembrar-se dos amigos que já perdeu ao longo dos anos.

De forma natural, Marciano fazia e respondia todas as perguntas, e me perguntou qual era o sistema operacional que eu usava, e falou um pouco sobre Linux.

Durante nossa conversa ele topou fazermos alguns retratos. Perguntei a ele se podia me acompanhar até um local mais iluminado próximo de onde estávamos.

Essa é uma das fotos que tirei naquele dia.

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Semana passada voltei a fotografar para o “Quem

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Semana passada voltei a fotografar para o “Quem dorme na rua passa o dia de pijama”, depois de um pouco mais de 6 meses sem ir pras ruas com esse propósito.

Comecei a mapear alguns pontos perto de onde eu moro, pretendo conhecer esses moradores de bairros menores. E para a minha surpresa encontrei uma moradora a poucos quarteirões da minha casa.

Me aproximo após notar que ela está disposta a conversar comigo. Logo em seguida me apresento e ela faz o mesmo.

-Lucia, disse em voz baixa.

Já estávamos conversando e Lucia se sentiu a vontade para falar um pouco sobre sua vida.

Aos 41 anos diz ser moradora de rua por opção. Conta que num certo dia arrumou o que podia levar e saiu sem rumo.

Por morar muitos anos no mesmo bairro, localizado no extremo leste da capital, Lucia cumprimentava diversas pessoas que passam por nós, o que fica claro que ela é tratada de forma inclusiva dentro do convívio social entre os moradores do bairro.

Conversamos sobre bastante coisa, expliquei a ela sobre o projeto e Lucia aceitou de primeira fazer umas fotos enquanto me contava mais sobre si.

Falou sobre o acidente que sofreu já há algum tempo, onde fraturou algumas partes do corpo. Uma delas foi o joelho direito, onde agora possui alguns pinos. Ao falar sobre o assunto de forma descontraída Lucia relata os choques que leva por ficar em frente a portões de aço.

Seu companheiro Gileno chega logo em seguida, nos cumprimenta e se senta ao lado de Lucia. Não demorou muito tempo pra que ele também aceitasse fazer parte dos cliques.

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Empolgada com as fotos, Lucia me  pede um retrato com seu amigo Marcelo.