Alegria

Resolvi escrever o ultimo post do ano e quero dedica-lo a uma pessoa que conheci em uma de minhas caminhadas durante esses meses. Nesse dia resolvi andar pelo centro, com o intuito de conhecer novos moradores e rever alguns deles que eu já conhecia e sabia onde encontra-los.

Penso milhares de vezes antes de abordar um morador, caminho andando para eles esperando alguma reação, um olhar, um resmungo, um sorriso ou qualquer atitude que permita que eu me aproxime. E foi assim que aconteceu, ele me viu, mas passei direto, voltando logo em seguida. Esse é o Alegria, foi assim que ele se identificou quando perguntei o seu nome. Muito simpático, diferente e com um chapéu feito da palha do coco, ele estava preparando sua refeição, um peixe que tinha ganhado. Ele me mostrou como fazia para cozinhá-lo, embebendo uma faca em uma latinha com álcool e depois encostando o isqueiro na faca e levando ela perto da lata de novo para incendiá-la. Alegria é capoeirista e fez uma demonstração das tantas artes que conhece. Conversou comigo sobre religião, sobre o significado do meu nome e sobre artesanato. Enquanto isso rolava uma briga entre moradores ali perto, o que me deixou meio receoso, confesso, mas a tranquilidade e a serenidade do Alegria me deixou relaxado. O que mais me impressionou em toda aquela vivência desse dia foi quando ele me mostrou duas câmeras fotográficas antigas, que ele tinha, e de todo o bom coração me pediu para escolher uma. Eu peguei uma todo sem jeito, mas com a maior felicidade, afinal é a primeira câmera que eu ganhei na vida. Deixar para falar sobre o Alegria neste último dia de 2012 e depois das exposições terem acontecido e todas com recepções muito positivas é para sobretudo agradecer a essas pessoas, ainda que elas não possam ter acesso as minhas palavras, pois aprendi e cresci muito com todo esse projeto, aprendi melhor o significado das palavras GENEROSIDADE e RESPEITO e venho desejar que não só o ano que está por vir, mas a todos os demais anos que não só a mim mas a todos, possam querer a respeitar, ainda que seja o mínimo essas pessoas. Eu acho que isso já é um grande passo na mudança de nossa sociedade, na sua evolução como seres humanos.

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