Mês: setembro, 2012

Esse é o Alexa…

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Esse é o Alexandre, amigo de um dos colaboradores do projeto “Paulo”, ele vive no centro de São Paulo, e apesar de ter gostado da ideia de ser retratado, ele não se sentiu a vontade em dizer sobre si mesmo.

 
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 Após andar p…

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Após andar por toda Avenida Paulista em ambas as calçadas, de ponta a ponta a procura de mais um dia de novas histórias e novos retratos me deparei com José Aparecido, quando já estava desesperançoso e desanimado. Ele se encontrava sentado à sombra, perto do Parque do Trianon. Muito acolhedor, dos olhos pequenos e simpáticos, logo topou a ideia de ser fotografado e me revelou a curiosa história de que um fotógrafo norueguês já havia lhe retratado em meados de 1994 e exposto na Noruega “Eu tirei uma sozinho e outra com dois moradores!” conta, orgulhoso. Muito conhecedor das palavras de Deus, comentou que meu nome é bíblico, um dos apóstolos do senhor.

Com seus 67 anos de idade, explicou que morava em uma favela no período em que Jânio Quadros era prefeito, mas que ele, bem como muitos moradores tiveram que se retirar. Ele explicou que Jânio prometeu um lar novo para todos eles e cumpriu, boa parte. Mas que quando chegou justamente na sua vez, a grana “acabou”. Sem ter para onde ir, foi viver nas ruas.

“Seu” José ganhou um marmitex da lanchonete perto dali. “Alguém pagou e mandou me trazer”, disse, tímido. Conversou comigo ainda sobre galerias de arte da Itália, sobre Nero, o imperador romano que apesar de sua má fama, segundo ele, fez grandes feitos. Ainda me orientou de como abordar os moradores e sugeriu também que eu vá fotografar a região da Cracolândia ” Mas toma cuidado, já não chega com a câmera na mão nem nada. Lá tem que ter uma abordagem diferente.”

Fiquei surpreso com a educação, a religiosidade e o conhecimento dele. Preferi ouvir todas as belas palavras sobre o que ele gostava de dizer, empolgado e com brilho nos olhos, notei que ele não se sentia a vontade de falar sobre si mesmo. Quando questionado sobre a aliança sem seu dedo ele desconversou “Sou noivo das palavras de Cristo.”

Percebi que poderia ficar por horas ouvindo suas histórias, que ele talvez há muito tempo não tenha tido oportunidade de compartilhar. Notei quando estava de partida que sua água estava no fim e neste calor, repus novamente. Ele agradeceu e sem jeito, procurou algo para me oferecer. Fiquei de voltar, para conversarmos mais, saí de lá muito sensibilizado e feliz, e mais uma vez comovido, com uma realidade tão próxima a mim.