Em uma de minha…

por Thiago Lima

Em uma de minhas andanças a procura de moradores da cidade de São Paulo acabei por encontrar Maicon, um morador de rua que convive com seu grupo próximo ao viaduto do Chá, perto do metrô Anhangabaú.
Muito simpático, ele foi muito receptivo quando lhe contei sobre o projeto e me apresentou seus amigos, que me pareceram muito unidos.Maicon não me contou muito sobre si pois me pareceu muito empolgado com os retratos. Na verdade, pude perceber também que ele era um pouco tímido e não gostava de conversar sobre si mesmo.

ImageEsse é o Maicon, sorridente e bem humorado.

Consegui desenvolver um diálogo mais profundo com Edna, a única mulher do grupo, que me contou um pouco de sua história.Edna é de Minas Gerais(Araxá) mas se criou na Bahia, veio para São Paulo na década de oitenta quando tinha 19 anos, hoje está com 50 anos.Edna se emocionou muito em falar de seus três filhos,um deles vivendo em um abrigo, nos quais não vê há muitos anos, e também demonstrou muita tristeza e desespero, apesar do seu jeito alegre, em falar do sonho de voltar para a cidade de onde veio.Embora tenhamos conversado, em comum a muitos
moradores na qual venho dialogado, extrair os motivos pelos quais eles moram na rua por vezes não é muito simples.

ImageEsse foi o local que conversei a sós com Edna, perto de onde vive com o grupo.

Enquanto bebiam cachaça e me deram muita abertura para fotografá-los,pude conversar com Gilmar , que tem 45 anos e mora na rua há 20 anos.Ele possui um ferimento no olho, me contou que tinha um ferro velho em Poá, mas ele foi roubado.

ImageMesmo que deitado e um pouco cansado, Gilmar foi muito atencioso.

Ainda tive o prazer de conhecer Rubens de 57 anos, sambista do Rio de janeiro e muito bem humorado.

ImageRubens ao falar sobre a sua maior paixão, o samba, foi muito elogiado por seus amigos.

Posso dizer, que mesmo não conseguindo adquirir muitas informações sobre todos eles, tive uma das experiências mais bacanas, digo na vida.Esse tipo de relação que tenho conseguido estabelecer, e de me aproximar mesmo que vagamente de todas essas histórias me fazem encarar muitas coisas com uma nova postura.
Para finalizar ainda, muito carinhosa,Edna me deu um beijo no pescoço , e o grupo me deu muita abertura para voltar novamente, quando eu desejar.

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